Review – Bounty Star

Bounty Star aposta na mistura de combate acelerado com mechs e gerenciamento de base

Imagine uma protetora que falha na missão mais importante de sua vida e precisa reconstruir sua vida do zero. Essa é a premissa de Bounty Star, game que coloca o jogador no controle de Clem, uma ex-soldado que virou caçadora de recompensas. Com a ajuda de uma velha amiga, Clem ganha uma nova chance ao reformar um assentamento abandonado e aceitar contratos para sobreviver e assim iniciar uma jornada de superação.

A narrativa começa melancólica, mas gradualmente assume um tom mais esperançoso. Clem não apenas reforma estruturas físicas — ela reconstrói a si mesma. O jogo não se enquadra no gênero “cozy”, mas é generoso ao ponto de tornar o fracasso algo praticamente inexistente.

O Recomeço de Clem

O arco narrativo é sobre recomeço, tanto emocional quanto material. Você acompanha Clem reativando máquinas, conhecendo novos personagens e readquirindo a confiança perdida. Não espere reviravoltas surpreendentes, mas há valor em testemunhar essa trajetória de reconstrução.

Já a rotina em Bounty Star se divide entre duas frentes: os combates com mechs em tempo real e a reforma da propriedade de Clem. No início, sua fonte de renda são exclusivamente as recompensas. Mais adiante, você desbloqueia a agricultura e pode cultivar vegetais para venda.

O combate é o ponto alto. A personalização do mech é generosa e permite adaptar armamento, resistência térmica e habilidades para enfrentar inimigos com diferentes fraquezas. É preciso monitorar a temperatura do robô para evitar superaquecimento ou congelamento durante as batalhas. O jogo até sugere carregamentos específicos em missões opcionais, mas nada é imposto, você enfrenta os desafios como preferir.

Conforme avança, novas peças e armas são desbloqueadas, e testar combinações diferentes se torna um dos prazeres do jogo. A variedade de inimigos também ajuda a validar suas estratégias para explorar suas fraquezas com cada tipo de arma.

A administração da base, porém, sofre com um início muito lento. Você leva horas até conseguir entender como ligar os geradores, ativar os equipamentos e, finalmente, plantar algo. E quando a fazenda surge, a implementação é simplória: você apenas posiciona vasos no chão. Falta a sensação de pertencimento ou evolução significativa do espaço.

Ao contrário de jogos como a série Atelier, My time at Portia, entre outros que já entregam ferramentas variadas desde o começo, Bounty Star exige paciência. Você precisa cumprir uma longa sequência de missões narrativas para só então ter acesso à agricultura e criação de galinhas. E mesmo depois disso, ainda há tarefas pendentes antes de poder administrar o tempo livremente.

Oeste pós-apocalíptico

O cenário de Bounty Star é um mundo devastado por guerras. Ruínas tomam a paisagem, a vegetação é escassa e o que restou da natureza sofreu mutações. Humanos e robôs dividem o papel de antagonistas. As armas de fogo seguem um visual tradicional de faroeste, enquanto os equipamentos corpo a corpo parecem improvisados com sucata.

A direção de arte acerta ao tornar o clima e a iluminação elementos funcionais: eles indicam a temperatura ambiente, informação vital para ajustar seu mech antes do combate.

No aspecto sonoro, o game capricha. Os impactos dos combates soam pesados e a trilha remete aos westerns clássicos, temperados com sintetizadores modernos. O conjunto funciona bem: você está cuidando de plantações, mas também produzindo hidrogênio e desenvolvendo armas de ponta, e a trilha sonora abraça essa dualidade com personalidade.

Bounty Star faz o seu melhor em dois gêneros distintos

Bounty Star é um jogo de contrastes e boas ideias, o combate com mechs é divertido, a customização dá liberdade e a premissa narrativa é acolhedora, mas a execução sofre com decisões questionáveis de pacing. A demora excessiva para liberar a fazenda e a falta de clareza nos objetivos transformam a progressão em um exercício de paciência.

Ainda assim, para quem aprecia combates mecanizados e não se importa com um início arrastado, há diversão genuína em acompanhar Clem reconstruir sua vida. Com ajustes na comunicação dos marcos e um acesso mais rápido à simulação, Bounty Star poderia ser uma recomendação fácil. Do jeito que está, é uma aposta interessante.

Bounty Star está disponível para PC, PlayStation 5, Xbox Series X|S e Nintendo Switch.

Bounty Star: Bounty Star faz um trabalho decente ao misturar combate de mechas com gerenciamento de base. Você constrói mechas mais fortes aos poucos, enquanto ganha dinheiro e começa uma fazenda. Os objetivos podem ser confusos e a mecânica de cultivo não parece tão integrada quanto anunciado. É um jogo decente com bons fundamentos. Otto

8.5
von 10
2025-12-26T13:28:00-0300

Otto

Um rapaz que fez do hobby um trabalho. Sempre interessado em aprender e conhecer mais. Gamer desde criança e aficionado por Board games. Altas madrugadas jogando e trabalhando incansavelmente.