Crítica – A Maldição da Freira

Muitos clichês de uma vez para pouco tempo de filme

Baseado em uma história real irlandesa, da diretora também irlandesa Aislinn Clarke, A Maldição da Freira é um dos primeiros filmes de terror a abrir o ano de 2019. A proposta do filme é  utilizar exaustivamente o estilo documentário informal, como uma filmagem amadora, também chamado de “found footage” (a exemplo de Bruxa de Blair).

O filme começa com dois padres enviados do Vaticano para investigar e documentar o famoso fenômeno das estátuas que choram sangue nos Asilos de Madalena, na Irlanda. Tais asilos abrigavam mulheres consideradas párias pela sociedade, e, mais tarde, tais locais foram acusados das mais diversas formas de exploração contra as mulheres que lá viviam. Logo que chegam ao local, os padres descobrem maus-tratos cometidos contra uma moça grávida e, a partir daí, uma série de fatos inexplicáveis começam a surgir.

O longa é recheado de clichês. A coisa mais original do filme é tentar manter a estética de documentário dos anos 60 mas, ainda assim, a técnica do found footage é utilizada de tal modo que não ajuda o filme a prender o espectador ou torná-lo interessante. Pelo contrário. Os sustos e clichês já conhecidos ficam ainda mais previsíveis com o modo que a câmera é utilizada, causando um efeito contrário do pretendido.

O ponto mais positivo do filme é, como citado anteriormente, a estética de documentário dos anos 60. Imagens escuras, ruídos e baixa resolução contribuem para montar um ambiente mais tenso e mórbido. Porém, não é o suficiente.

 

Com um pouco mais de uma hora de duração, os personagens são mal explorados, tal como a trama. O padre Thomas, por exemplo, é um personagem com potencial, mas que acaba não sendo desenvolvido de maneira adequada.

O título utilizado também ajuda negativamente, frustrando possíveis expectativas e explicações. Com o recente sucesso de “A Freira”, aproveitaram o marketing e traduziram o nome (no original: “The Devil’s Doorway”) do filme para algo que não tem a ver com o mesmo de fato.

Personagens mal aproveitados somados à uma história cheia de elementos clichês e um título que não condiz, onde nem os jump scares funcionam, faz de A Maldição da Freira um filme maçante, que não adiciona nada ao gênero e  não provoca terror algum.

A Maldição da Freira estreia dia 28 de fevereiro nos cinemas.

Texto por Louise Minski

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