Review – Apopia: Um Conto Disfarçado
Uma jornada de volta para casa é o que aguarda o jogador em Apopia: Um Conto Disfarçado, jogo desenvolvido pela Quillo Entertainment Limited e publicado pela Happinet. Muitas risadas, exploração, quebra-cabeças, uma arte singular e uma trilha sonora aconchegante são o que esperam por você nesta aventura, que será lançada para PC via Steam com tradução completa para o português.
Os primeiros passos
Apopia, logo de cara, já começa encantando o jogador com uma bela arte, uma música calma e tranquila, uma cena impactante e muita dúvida. Nos primeiros minutos, você acha que entende o que está acontecendo e o que precisa ser feito para zerar o jogo, mas é aí que a obra te engana e mostra que existe uma profundidade muito maior do que o esperado. Apopia não é apenas um jogo que vai fazer o jogador rir de cenas engraçadas ou chorar com as tristes. A mecânica principal de acessar o mundo interior das pessoas e enxergá-las como realmente são traz uma profundidade e uma empatia pelos personagens, mostrando que nem todo mundo é ruim por ser ruim.

O jogo tem mecânicas simples e poucos botões: apenas para andar, abrir o inventário, interagir e pausar. Mas ele brilha nos diálogos e nos quebra-cabeças, que utilizam diversos estilos diferentes para divertir o jogador, como velocidade, ritmo, lógica e memória. Essa diversidade traz a sensação de estar sempre fazendo algo novo, o que faz com que não se canse de jogar por longos períodos e desperta a curiosidade para saber como será o próximo desafio.
O novo mundo
Os primeiros minutos de jogo se passam em um cenário muito simples e com pouca informação, mas isso é apenas para o jogo estabelecer seu enredo, pois logo em seguida tudo muda completamente. O jogador começa a encontrar lugares mais interessantes, sendo o primeiro deles a caverna, onde o jogo realmente começa. Agora podemos ver com mais detalhes como a arte do jogo é simples, mas bonita; leve, mas cheia de detalhes; amigável, mas às vezes assustadora. Este jogo é como assistir a um desenho que não para de surpreender com sua história, mas ao mesmo tempo permite que você apenas aprecie a vista e se divirta com o simples.

O início do jogo já mostra como funciona o mundo em que o jogador é colocado e do qual deseja sair: um mundo onde todos os habitantes são coelhos humanoides que vivem em um reino que já foi muito próspero, mas hoje enfrenta dias de tirania. Aqui já conhecemos personagens que estarão contra você e outros que irão ajudá-lo. Neste mundo, vemos muita personalidade em cada NPC com quem o jogador interage, refletida na forma como reagem ao jogador e também em suas próprias personalidades.
Criatividade e repetição
Apopia brilha na diversidade de mecânicas de quebra-cabeça que o jogo oferece ao jogador. Muitos jogos pecam ao trabalhar sempre com as mesmas mecânicas, fazendo apenas pequenas mudanças no decorrer da experiência. Porém, Apopia não mediu esforços para trazer múltiplas mecânicas, sempre inovando e divertindo o jogador. Elementos escondidos pelo cenário, lógica para resolver problemas, reação para acertar o ritmo certo e velocidade para cumprir prazos são apenas algumas das muitas mecânicas que os desenvolvedores utilizaram para montar os quebra-cabeças.
No entanto, com tudo isso, o jogo apresenta um certo padrão em seu fluxo e narrativa. Um loop que começa com a apresentação do próximo problema, a descoberta do caminho até ele, uma dificuldade para conseguir entrar no local, um quebra-cabeça que envolve juntar peças para formar algo, chegar ao objetivo e, por fim, enfrentar o problema ou inimigo em questão. Isso não é necessariamente algo negativo para o jogo, mas o formato fica bem evidente conforme se avança na experiência.

A lição que Apopia passa
Caso você seja uma pessoa que pula muitos diálogos e não presta atenção aos detalhes, este jogo pode não ser para você, pois ele não tem nenhum indicador de caminho. Cabe ao jogador prestar atenção às conversas e aos elementos do mapa para conseguir sempre ir para o lugar certo. Como o jogo não conta com nenhuma seta levando o jogador ao destino, era comum se encontrar sem rumo. E é aí que surge um problema: a trilha sonora do jogo é muito boa, porém as músicas são curtas, o que leva a uma grande repetição. Isso se agrava ainda mais caso o jogador demore para encontrar o objetivo e precise ficar procurando por mais tempo que o necessário.
Apesar dos pequenos problemas, o jogo aborda temas mais profundos conforme se aproxima do fim. A última meia hora é uma grande revelação dos motivos, das intenções e dos porquês de os personagens principais da trama terem chegado até ali. Tristeza e abandono são temas que conectam os personagens, mas tudo o que você, como jogador, fez até esse momento vai ditar como o jogo terminará, pois a obra conta com múltiplos finais baseados nas escolhas do jogador. Tentar resumir a experiência de jogar este jogo é como assistir a uma temporada de um bom desenho: ele começa te prendendo com o humor para, depois, fazer você pensar em tudo o que aconteceu até o fim.

Apopia: Um Conto Disfarçado: Com arte encantadora, mecânicas criativas e uma história que surpreende pela profundidade, Apopia conquista pelo humor e pela emoção. Apesar da repetição na trilha sonora e da falta de indicações claras, a experiência recompensa a atenção aos detalhes com múltiplos finais e reflexões sobre empatia e superação. – Paulokopesos

