Review – Marvel Cosmic Invasion
Apesar de ainda ser uma força de peso no cinema, o universo Marvel ainda não conseguiu decolar com tanta empolgação no mundo dos games. Enquanto jogos como Marvel Rivals e Marvel’s Spider-Man conseguem empolgar o público, ainda são recentes as lembranças do desastroso Marvel’s Avengers — que fez com que tanto Guardians of the Galaxy quanto Midnight Suns fossem injustiçados e passassem batidos para muitas pessoas.
Nesse contexto, Marvel Comic Invasion surge como o tipo de jogo casual que é exatamente um momento de “agora vai”, mas representa um caminho futuro interessante para os super-heróis da editora. Emprestando muitos elementos dos beat’em ups do passado, o título oferece uma diversão acessível e repleta de fan service.
Marvel Cosmic Invasion tem uma história, que não importa muito
Em Marvel Cosmic Invasion, um time formado por heróis tão diferentes quanto o Wolverine é do Surfista Prateado precisam lidar com uma ameaça que pode destruir o universo. O Aniquilador, uma espécie de inseto gigante, está usando larvas para dominar a mente de vilões e heróis de diversos planetas.

Cabe a você usar socos, chutes, garras e disparos para impedir os planos do vilão. Isso significa ter que passar por fases inspiradas em diversos quadrinhos e propriedades intelectuais da Marvel. Ao final delas, enfrentamos vilões como Thanos e Galactus, bem como alguns aliados dominados pelas criaturas, como a Fênix e Phyla-Vell.
O título traz tanto um modo História, que acompanha essa narrativa de perto, quanto um Arcade, que só encadeia as fases disponíveis sem as cenas de história. No entanto, no geral ela não importa tanto assim — as cenas não interativas que existem não adicionam tanto à trama em geral e servem mais como uma forma de mostrar outros personagens Marvel que não estão no elenco principal.
Nesse sentido, nem dá para culpar tanto Marvel Cosmic Invasion porque a narrativa claramente não é o foco do jogo. No entanto, poderia haver uma maior coesão entre as histórias apresentadas, que muitas vezes parecem simples esquetes sem grandes conexões entre si e que esquecem personagens tão rápido quanto os apresentam.

O lado bom é que o game compensa isso com um sistema de combate que é simples, mas traz algumas ideias boas. Os jogadores sempre podem escolher uma dupla de personagens — um ativo e outro secundário —, alternando entre eles durante as partidas ou usando um deles como um suporte para aumentar a duração de combos e o dano causado por eles.
Escolher uma dupla equilibrada ajuda a tirar o melhor proveito de Marvel Cosmic Invasion, especialmente dado o fato de que sempre há trechos que beneficiam heróis capazes de voar. No entanto, o jogo não é punitivo a ponto de tornar isso uma obrigação, então favorecer seu gosto pessoal em vez do caráter mecânico de um personagem nunca parece ser uma grande punição.
Um beat’em up com leves elementos de RPG
A principal diferença entre os dois modos disponíveis é que, no primeiro, há alguns elementos de RPG bastante simples. Quanto mais você usa um herói específico, mais ele ganha níveis que liberam habilidades passivas e, principalmente, uma quantidade maior de energia total.

As fases da Campanha também trazem alguns desafios relacionados a heróis específicos, que sempre são indicados antes de entrarmos nelas. Eles ajudam a variar um pouco a maneira como lidamos com cada fase, contribuindo inclusive para aumentar seu nível de dificuldade — uma fase simples pode se tornar bem mais complicada quando você precisa matar pelo menos 10 inimigos usando o agarrão de Venom, por exemplo.
Nesse sentido, Marvel Cosmic Invasion lembra um pouco o trabalho anterior da Tribute Games, o também beat’em up Teenage Mutant Ninja Turtles: Shredder’s Revenge. No entanto, o título mais recente trabalha com essas recompensas de forma menos punitiva — não há nenhum desafio que esteja associado a terminar uma fase sem tomar nenhum dano em nenhum momento, por exemplo.

Ao cumprir uma das condições exigidas, ganhamos pontos que podem ser investidos em abrir quadros em uma Matrix Cósmica. Ao fazer isso, o jogo libera novas paletas de cores, modificadores para o Modo Arcade, músicas para ouvir no menu de opções e mais informações sobre os heróis e vilões disponíveis.
Como cada fase tem duração máxima de 10 minutos e a maioria dos desafios não é tão complicada assim, acaba sendo divertido revisitar fases anteriores para tentar completá-los. E isso também pode ser necessário para subir o nível de alguns heróis, caso você siga somente as recomendações da história — que limita personagens como o Motoqueiro Fantasma, a Fênix e o Surfista Prateado a aparições únicas.
Marvel Cosmic Invasion é divertido, mas falta substância
Com visuais bonitos e um elenco de personagens interessante, Marvel Cosmic Invasion traz poucos defeitos além de sua história descartável. Entre eles está o fato de que a dificuldade do game traz alguns picos inexplicáveis, fazendo com que chefes como Hela sejam mais complicados de lidar do que o próprio Aniquilador.

No entanto, o principal deles é resultante de uma característica própria dos beat’em ups: simplesmente falta conteúdo para tornar o jogo algo além de uma diversão casual. Mesmo se focando em completar todos os desafios opcionais possíveis, é fácil finalizar a campanha do jogo em 6 horas — ou bem menos, caso esse não seja seu foco.
Dá para prolongar a duração do game em algumas horas caso você queira pegar todas as conquistas, mas mesmo assim a experiência total dificilmente passa das 10 horas. Não que todo jogo deva passar das 50 ou 100 horas, mas parece que a Tributes Games poderia ter pensado em algumas opções de jogo adicionais para aproveitar do belo elenco de personagens que tem à sua disposição.
Jogamos Marvel Cosmic Invasion no PC com um código fornecido pela publicadora.
Marvel Cosmic Invasion: Marvel Cosmic Invasion é um bom beat’em up que se destaca principalmente por seu elenco e pelo sistema de duplas que oferece. No entanto, ele ainda sofre da eterna maldição de seu gênero (a duração curta), e pode decepcionar quem procura uma experiência bastante duradoura ou com elementos muito variados. – Felipe Gugelmin

