Crítica – O Touro Ferdinando

Nova versão de conto clássico não inova mas deixa o coração quentinho

Ode a Carlos Saldanha, nosso compatriota, responsável por Co-Dirigir A Era do Gelo (2002) e Robôs (2005) e dirigir A Era do Gelo 2 e 3 (2006 e 2009) e Rio (2011), provavelmente o maior nome quanto a longas de animação fora do Brasil, dessa vez nos trás O Touro Ferdinando (2017), filme de animação baseado no conto clássico de 1936, que foi animado pela Disney em 1938 (e ganhou Oscar daquele ano.

Aqui acompanhamos a história de Ferdinando, touro que após perder o pai devido as agressivas touradas, cria repúdio pelas mesmas e desenvolve uma natureza pacífica, preferindo descansar e cheirar flores, porém acaba sendo selecionado para participar de touradas principalmente dado o seu porte físico.

Esse filme passa uma mensagem importante assim como a animação original e o livro, a dualidade do que é esperado e o que não é esperado de alguém (nesse caso, os touros) e tenta de forma receptiva (apesar de alguns momentos aclimados) entregar a mensagem para crianças e adultos, o filme também trata de bullying dado essas expectativas, curioso, um touro sofrendo bullying (touro em inglês = bull)

Um traço que acabou sendo marca registrada de Saldanha desde A Era do Gelo são montagens ou segmentos de paródia ou musicais, nunca esqueceremos Sid jogando futebol americano com uma melancia, qualquer coisa que o Scrat fazia fora do enredo do filme e afins, aqui não é diferente, temos um número bem engraçado de dança entre cavalos e touros, arranca risadas e diverte, mas não é tão memorável.

Um problema recorrente do diretor, e aqui se repete com certa frequência, é a ausência de um enredo amarrado ou explícito, não que a motivação não esteja lá, mas ela acaba ficando de segundo plano pela forma como Saldanha insere piadas, que apesar de boas não tem ligação com a história.

Os personagens são em geral muito bons, apesar de cairmos no problema de excesso e de personagens que não contribuem, eles trazem risadas principalmente para crianças, Ferdinando é muito fofo, Nina também e a Lupe é hilária, mas não podemos esperar muita profundidade além de Ferdinando aqui.

O Touro Ferdinando é um filme agradável, inofensivo mas tem sua relevância, e apesar de mais esquecível que algumas outras animações desse ano, é um programa de família divertido e vale sua curta experiência de 1 hora e 40 minutos!

Otto

Um rapaz que fez do hobby um trabalho. Sempre interessado em aprender e conhecer mais. Gamer desde criança e aficionado por Board games. Altas madrugadas jogando e trabalhando incansavelmente.