Review – Hob

Um dos mais belos jogos do ano!

Não é surpreendente a capacidade da Runic Games para desenvolver bons jogos. Fundada por Travis Baldree (criador de Fate), Max Schaefer e Erich Schaefer (co fundadores da Blizzard norte, responsável por Diablo) a produtora é ainda famosa por Torchlight, um RPG de ação single player com temática de fantasia que nitidamente herdou algumas das características do RPG mais aclamado da Blizzard, a perspectiva isométrica e os gráficos tridimensionais. Com o sucesso, veio a sequência. Como principal novidade, o segundo Torchlight ganhou um mapa maior e o modo multiplayer, bem como novas classes e melhorias de customização.

Essa contextualização é de suma importância para falar sobre Hob, o mais recente game lançado pela Runic Games, que já não conta mais com a presença dos irmãos Schaefer, mas continua bebendo de algumas influências advindas de seus antecessores. Com menos enfoque na ação, Hob é um jogo com muita aventura, suspense e caos. O mundo aberto cheio de quebra cabeças, oportunidades para explorar e uma narrativa silenciosa remete aos clássicos The Legend of Zelda, ICO e até a alguns mais novatos como Trine e Rime.

O enredo de Hob é um grande mistério. Tudo aquilo que o jogador toma conhecimento advém de meras interações com personagens e criaturas que habitam aquele mundo, além da própria exploração do cenário. A narrativa silenciosa desenvolve, ao longo do gameplay, uma atmosfera única. Ao jogar Hob, uma das principais sensações que predomina é a de descobrir mais sobre quem é o protagonista e o que está acontecendo naquele mundo em progressiva destruição. 

Ainda que as batalhas contra inimigos sejam almejadas pelos jogadores, o sentimento que prevalece em Hob é o de que a ação é secundária. A jogabilidade é focada na exploração de cada novo ambiente descoberto, juntamente com a resolução de alguns quebra cabeças, fundamentais para que se possa prosseguir, muitas vezes. Apesar de não serem complexos, os puzzles funcionam de maneira integrativa, e é aí que reside um dos pontos chave de Hob. O level design do game foi feito com grande primazia, de modo que a ação do jogador promove constantemente a integração dos ambientes.

As habilidades do protagonista são apresentadas e introduzidas ao jogador como um experimento. Logo no início o herói recebe uma luva mecânica, sendo conduzido a socar paredes e alguns botões para testar o novo talento. Essas habilidades fazem com que a jogabilidade se torne mais dinâmica, uma vez que introduz novas possibilidades ao gameplay. Agarrar, socar e teletransportar serão ações de suma importância para que se possa avançar e liberar novos aprimoramentos.

Os aprimoramentos podem ser adquiridos ao coletar uma certa quantidade de engrenagens. Estas, por sua vez, dropam de algumas das criaturas, monumentos e relíquias. Dentre as melhorias, é possível tornar sua espada mais potente, ao adicionar ataques de investida, evocar um escudo mecânico de seu braço e incrementar o rolamento do personagem. Todas essas oportunidades ampliam o potencial do personagem, possibilitando batalhas dinâmicas.

Enfrentar inimigos é algo simples mas muito bem feito em Hob, principalmente devido à qualidade do design e da animação. A influência que predomina é a dos antigos Legend of Zelda, uma vez que o herói basicamente utiliza de uma espada, escudo e rolagem. O sistema de vida do personagem também se assemelha ao de Link: ao tomar um golpe você perde um ‘’quadradinho’’ de vida, o que seria mais ou menos equivalente aos corações.

Com um visual estonteante e um level design perfeitamente integrado, Hob é, sem dúvida, uma das maiores surpresas de 2017. As câmeras passeiam pelo cenário junto com o jogador, convidando-o a explorar aquele mundo  caótico da forma como bem entender. Em conjunto, os quebra cabeças tornam a experiência muito mais divertida, fazendo com que horas de jogo pareçam minutos. Assim como em Hyrule, o universo de Hob reserva muitas aventuras e mistérios, basta a disposição para desvendá-los. 

Hob está disponível para PC(GOG/Steam) e PS4. 

Está análise foi feita através de uma cópia cedida pela plataforma GOG.com

Letícia Motta

Hardcore gamer, punk e antissocial. Fã de RPG's de fantasia, ficção científica e quadrinhos independentes. Passa as horas vagas e as não vagas com seus consoles e PC.

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