Crítica – Valerian e a Cidade dos Mil Planetas

Luc Besson apresenta uma bela ficção científica, porém que peca no roteiro

Em tempos de adaptações de quadrinhos de heróis, outros filmes adaptados também tentam espaço nesse mercado. Esse é o caso de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas, adaptação do quadrinho franco-belga “Valérian et Laureline”, e mostra que há muito do mercado europeu de quadrinhos que Hollywood pode explorar.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas conta a história da dupla Valerian e Laureline, agentes da federação intergalática. Entre suas missões, os dois se descobrem em meio à uma trama de conspiração para destruir Alpha, uma estação espacial gigantesca que abriga milhões de raças diferentes convivendo em harmonia. O principal fator do filme, que já ficava evidente nos trailers, era a ambientação futurista. O longa se passa no século XXVIII e esforços não são poupados para mostrar todos os elementos dessa sociedade avançada na tela. Existem diversas cenas onde é possível ter um panorama de Alpha, com suas raças diferentes e ambientes bem característicos para cada uma. O mais incrível ainda é que esses aliens são muito bem feitos, tendo uma anatomia particular, não se limitando apenas à formas humanoides.

Apesar de ser impecável visualmente, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas ainda peca muito em seu roteiro e edição. Existem cenas inteiras do filme que não levam a trama para frentee ficam jogadas para criar, talvez, mais tempo de tela ou para adicionar mais momentos de ação. Os personagens não possuem muita profundidade, sendo alguns até chatos de acompanhar, especialmente Valerian. O agente que dá nome ao filme, em suas nuances de personalidade abordadas, só fazem dele um estereótipo machista e reforça ainda mais que sua parceira, Laureline, é muito mais interessante. Outro problema de Valerian e a Cidade dos Mil Planetas são as resoluções óbvias da trama. O primeiro momento em que a figura, que será revelada como o vilão da história, aparece em cena fica claro que ele irá desempenhar este papel.

Por mais estranho que isso possa soar para muitos, sobra para a cantora Rihanna dar vida à personagem mais interessante e amável do filme, com uma narrativa tocante. Essa figura, junto de uma outra raça de alienígenas presente na trama toca, mesmo que levemente, em assuntos atuais e isso é muito importante para uma ficção científica. Neste momento, algumas das intenções do diretor ficam um pouco mais claras, porém ainda existem muitos floreios e situações cansativas até que o tema seja abordado efetivamente.

Valerian e a Cidade dos Mil Planetas cria uma sequência de abertura fascinante, ao som de Space Oddity de David Bowie, além de algumas cenas de ação criativas e únicas. Porém o filme prende sua narrativa à personagens não tão interessantes quanto seu universo rico e bem construído. No fim, Valerian e a Cidade dos Mil Planetas é uma grande experiência visual, com boas sequências de ação, mas acaba ficando massante por conta de seus protagonistas.

Kaio Augusto

Uma pilha gigante de referências. Perdido entre produções orientais e ocidentais, seja nos games, música,literatura, cinema ou quadrinhos. Gasta horas pensando em aventuras de RPG de mesa, teorias malucas ou apenas o que fazer em seguida.

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